4.25.2006

O verdadeiro taxista de Xangai

-NAO ACONSELHAVEL A PESSOAS SENSIVEIS-
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4.21.2006

Caso MIT-Portugal

(clicar para ler)
Ai Portugal, Portugal

4.20.2006

Estilo

Se ha coisa que tenho aprendido com a minha area profissional e experiencia individual e que o estilo vem, na sua maioria, da experimentacao. Quando vivemos eternamente com o mesmo estilo de vida, o mesmo estilo de roupa, o mesmo estilo de linguagem, o mesmo estilo de interesses, na verdade, nao resultamos em estilo algum.

Ao disciplinadamente experimentarmos passar fronteiras, por muito tenues, estamos a trazer para a nossa vida um pouco do que nos rodeia, com o nosso cunho pessoal. Porque fomos nos que escolhemos o que colher nesse outro lado da fronteira. E o Nos Versus Eles.

Agora imaginem-se num pais que ate ha pouco tempo vivia e se alimentava criativamente sozinho. Com as barreiras proprias de quem esta isolado como, alias, Portugal esteve durante mais de 40 anos. Como a cultura e uma entidade viva, e o estilo caracteriza a cultura, copiar insistentemente o que ja existe, em vez de criativamente avancar na historia, e viciar a propria cultura, como um bicho que se alimenta de si mesmo e nao cresce.

Posto isto, pensem que as fronteiras criativas foram abolidas. E que, agora sim, podem experimentar e ver o que se passa para la do vosso mundo.

Isto resulta numa enorme orfandade de estilo. Quando vejo na rua um chines vestido com um casaco azul de operario que mostra a gola levantada, gel,umas meias brancas enfiadas nuns sapatos escuros luzidios, e uma t-shirt de uma Britney Spears muito Lolita penso que, apesar de bastante baralhado em inicio de descoberta, este e o caminho.

Experimentando, vendo e testando. Numa viagem so de ida.

4.17.2006

Da Publicidade

Ha tres anos, e depois de semanas a percorrer varios dos seus Estados, achei que o Brasil era o pais da publicidade. Porque sobre o quase nada se publicitava. Porque sobre o tudo se punha a lupa do glamour, ao gosto de quem o tem para gastar.
Agora,depois de mais de 2 meses na China, tenho que refazer o meu julgamento.
Viver em Xangai implica ser constantemente bombardeado por actos,sons, luzes e imagens que nos afastam do percurso bucolico pela cidade.
Neons, foguetes, intensiva abordagem pessoal.
Imagens gigantes. Que se mexem. Que se fixam.Que te fixam. Que te mostram que existe uma realidade para alem da tua passagem, e que pode ser tambem a tua. Se a pagares.
Como vivo num pais em que o custo de vida e ainda inferior ao que estou habituada, posso ter acesso a maioria dessa realidade que me vendem. Mas eu nao quero cremes para ficar mais branca. Nem quero o ultimo sistema de Karaoke. Ou tupperwares especiais para dumplings.
Por isso, este publicidade para mim e ludica.E entretem o cenario urbano ao ponto de me distrair do que realmente e cidade. Do que realmente e espaco.Do que e real.
E o APP "Addicted Publicity Punch".

4.13.2006

Ja merecias

(podia ter escolhido uma das milhares de fotos que ja tiramos juntas, mas como esta e a ultima, ca vai amor)

A Ana foi a unica menina que veio comigo para esta aventura. Ela e mais 11 meninos.

Nao gosto de lamechices, mas ela e LINDA...

...e ensina-me palavras a la Porto (magnolias e nao nesperas,estrujido e nao refogado), e cozinha para a familia xangai, e percebe as questoes relevantes que levanto quando vemos o OC, e quando vemos o Clive Owen...e quando ,sentadas no 'ninho', falamos de coisas mais profundas...e diz-me sempre "bom dia" mesmo quando pensa que estou a dormir,e adora Lisboa, e nao se importa que lhe de a volta a roupa e que seja assim pro esquecida...

Mas de ti nao me esqueco, e ja merecias uma notinha aqui no Miss Xangai,

AL

4.09.2006

Rolling Stones

O meu Tio Manel bateu-me à porta aqui em casa, vindo de Coimbra,e disse "Bora ao primeiro concerto dos Stones na China?" ."Claro, contigo ate ao fim do mundo!".
Não sei escrever sobre os Stones.Sei que adoro o "Simpathy for the Devil".Sei que adorei o "This place is empty" cantada pelo Keith Richards.
90% de ocidentais num teatro de 7.500 pessoas. Depois de há um mês terem tocaram para 1 milhão e 200 mil pessoas na praia de Copacabana. Lá tudo em pé. Aqui tudo sentado. La para toneladas de adolescentes, aqui para uma media de idades bastante acima dos 25.
Como estamos na China, ha que contar com a censura. Todas as musicas tiveram que ser analisadas e rasuradas antecipadamente, e o espectaculo gravado ontem so podera ser transmitido daqui a 2 meses depois de escrupulosamente revisto. E a primeira vez que vivo num pais assim, e nao acho piada nenhuma.
Entra um lingrinhas eléctrico, com ar de quem se vai desmanchar a cada segundo, a correr desenfreadamente por todo o palco. Um certo ar afeminado. Com voz para aguentar quase duas horas sem parar. Do "Start me up" ao "I can get no satisfaction".
Ao nosso lado uma cinquentona poderosa com um poster que dizia "Bangkok 2003, you owe us one Mick!".Tudo porque há 3 anos atrás cancelaram a primeira tentativa devido ao surto inicial de gripe das aves. E por isso desta vez foi com o dobro do 'punch'.
Como disse o Keith e assino por baixo " Its good to be here, its good to be everywhere!".
Por tudo isto e muito mais, foi histórico.

4.07.2006

Miss Xangai

O nome Miss Xangai foi escolhido logo na noite de 17 para 18 de Novembro 2005, pouco tempo depois de saber o meu destino.
Nao saia da minha cabeca uma musica dos Onda-Choc, que cantava no "recreio de baixo" do meu colegio da primaria. Chamava-se "Princesinha de Xangai" e cantava com as minhas amigas, agarrada a um gravador com a K7 com uma fita que, de tao gasta, um dia se partiu.
Ora hoje, o meu querido Martim -contacto do coracao- mandou-me um mail impecavel com esta Miss Shanghai (em ingles) que reporta na perfeicao uma "fauna" que vagueia pela noite desta cidade, bem longe da inocencia do "recreio de baixo" e dos Onda-Choc.
Vivem com o sonho de melhorar de vida nos bracos de um ocidental, longe da sociedade chinesa machista que as ignora e esconde. Tem este ar inocente, muito branquinhas, pequeninas, delgadinhas, cabelos pretos, lisos, um cigarro numa mao a pedir lume, e um radar ligado em todas as direccoes a ocidente.
Sao as Miss Shanghai originais.

4.03.2006

Tarde Chinesa

Das melhores tardes desde que cá estou.
A Primavera chegou a Xangai. Chegou a altura de andar de bicicleta que, de resto, é uma actividade totalmente chinesa (por favor, poupa-nos com os únicos detalhes que tomamos como certos serem chineses!).
Ok.
Estava quente...
Somos jovens...
Uma coisa levou à outra...
Pronto, perdemos a cabeça e fomos comprar bicicletas. E depois perdemos a orientação e perdemos Xangai.
E ao perder Xangai ganhámos mais um Domingo fantástico.

Noite Chinesa

Sexta-Feira foi a primeira noite verdadeiramente chinesa que tivemos. E, correndo o perigo de estar a criar um clássico no *Miss Xangai*, vou tentar uma explicar uma coisa que não se explica.
Sumário desta lição: SINISTRO
Meus amigos, a noite para os jovens chineses tem 3 letrinhas: KTV, que é como quem diz Karaoke. Mas, da inocência lisboeta de bar com palco e microfone,fica só mesmo o palco e o microfone.Porque o bar é Ocidente. O bar é socializar. E os chineses gostam é de, depois de um dia inteiro misturados com a multidão, se apagarem entre as poucas pessoas que conhecem e um ecrã de televisão.
Num qualquer piso de um qualquer arranha-céus de Xangai,um enorme corredor tipo risco-ao-meio.Cheio de luz. Cheio de empregados de colete na azáfama de levar bebidas para os diferentes quartos. No ar, um cheiro intenso de pipocas. E nos carrinhos, travessas de frutas.
Agora parem, respirem fundo, que estão prestes a abrir a porta de um quarto escuro, com um palco minímo, um balcão de bar, um plasma e dois sofás. Muito fumo que o resto do mundo para lá da porta não interessa. Não existe. Ali não há vergonhas, porque se canta sem ser ouvido. E ninguém entra sem bater à porta.
Viajar é o conhecer.Já conheci. Siga.