3.28.2006

Detalhes da Festa

Policia- Luis e o jeitinho portugues de dissuadir a policia a fazer o que queremos. Bem,das primeiras tres vezes conseguimos. A quarta, cortaram-nos a luz. Livro de visitas- Em português contemporâneo "guestbook". A dedicatória mais engraçada foi a escrita em iraniano. Caution- Um símbolo desta casa, que numa outra noite louca foi desviado da entrada do prédio. Para a festa, serviu para avisar os mais distraídos da existência de um degrau. Só uma nota, os dois primeiros caracteres significam "cuidado" e querem dizer Xin Xiao, ou seja, literalmente, coração pequeno. Tipo:"não ponhas o meu coração pequeno". A guitarrada- já só entre portugueses,e por necessidade de ter música sem electricidade, guitarrada até de manhã. A bandeira- a referência ao armário com o frigorífico das cervejas A entrada- local de reunião e, em muitos momentos, o hotspot

Festa

O plano era avisar Xangai que os portugueses chegaram.
Convidámos 70 pessoas literalmente de todo o mundo (do Irão ao Brasil,da Austrália a Angola) e só vos digo que nenhuma ficou por saber o que Portugal tem para oferecer. Talvez porque além de termos passado maioritariamente música nacional,em repeat exibimos o vídeo de promoção do ICEP e estivemos todos com aquele sorriso luso. Uma bandeira enorme junto do frigorífico das cervejas (o chamado marketing) e um guestbook de dedicatórias à entrada.
Ao início ainda perguntavamos às pessoas que entravam como tinham sabido da festa. A certa altura desistimos. Deixámos andar.
Começou às 10 e acabou às 7 da manhã. Depois de 3 vindas da polícia cortaram-nos a electricidade. E aí, já só entre portugueses, pegámos nas guitarras e fizemos o resto da festa até o sol estar alto.
Fecho os olhos e lembro-me de muita música,muita dança e muitos encontros."Ah,so you are the Mongol friend of Xiao Lin who.....","uau,this is your house","Is this Fado?oh Mariza, i know!" Depois oiço um barulho, abro os olhos e, passados dois dias, vejo que ainda recebo mensagens a dar os parabéns e a perguntar quando é a próxima.
Acho que Xangai percebeu a ideia.

3.26.2006

Obrigada

Obrigada Mafalda e Diogo, Manel e as meninas Pipa e Ana. Trouxeram um bocadinho de Portugal e fizeram um bocadinho da nossa história aqui.
Xiexie Ni.

Globalização III

Um amigo Contacto conhece uma polaca no avião para Cracóvia. E, sem saber de nada até ontem, a primeira rapariga que conheci em Shanghai é sua irmã gémea. Depois disto, sobre a globalização,I rest my case!

Globalização II

Diogo e a rapaziada. O encontro ocasional do estilo globalizado, numa loja de donuts.
Adoro os Domingos em Xangai

3.23.2006

Heartbeats

Esta musica provoca-me imediata e insensatamente borboletas na barriga.
Ming, Jose Gonzalez. Brilhante, Jose Gonzalez.
Obrigada Nuno Filipe.
Heartbeats
one night to be confused
one night to speed up truth
we had a promise made
four hands and then away
both under influense
we had devine scent
to know what to say
mind is a razorblade
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enoughfor me,
noone night of magic
rush the start a simple touch
one night to push and scream
and then releaf
ten days of perfect tunes
the colors red and blue
we had a promise made
we were in love
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
and you, you knew the hands of the devil
and you, kept us awake with wolf teeths
sharing different heartbeats
in one nightto call for hands of aboveto lean on
wouldn't be good enough for me, no
to call for hands of above
to lean onwouldn't be good enough
for me, no

3.19.2006

Wuxi

Vou tentar explicar uma coisa que não se explica.
Eu já vos tinha falado do efeito que uma cabeça mais loira tem sobre os orientais. Cheguei ao cúmulo de ver um chinês a sentar-se na minha mesa de almoço e insistir em me pagar um almoço para meter conversa. E eu não sou nenhuma estampa. Sou é muito diferente deles.
Até agora falava de Xangai.
Agora imaginem uma excursão de 30 ocidentais a uma cidade 200 Km a Norte de Xangai. Havia um jardim lindíssimo, um templo fabuloso com vários andares à volta de um buda gigante e millhares de chineses.
A certa altura o grupo separou-se e fiquei só com a Ana, os Andrés e o Diogo. Até aqui só tínhamos notado que nos olhavam com insistência, o normal. Até que encontrámos um grupo de adolescentes. Um grupo de meninas coradas aproximaram-se de mim e da Ana e de máquina em punho pediram para tirar uma foto connosco. A que estava à minha direita não parava de olhar para a minha cara e agarrou-me com toda a força ao enfiar o seu braço no meu. Na sua cabeça devemos ter ficado amigas para a vida!
Passaram a palavra aos colegas. Passados poucos minutos, estavam os nossos meninos a tirar uma foto em frente a um buda gigante deitado, quando se dá a sequência fotográfica acima exposta.
Passaram a palavra aos restantes colegas.A certa altura eu e o André tínhamos ficado para trás na conversa, e quando demos por nós estavamos a ser perseguidos por um gang enorme que avaliava os nossos passos,gestos,roupas. E à frente um professor atrapalhado que nos pediu,a medo, se podíamos tirar um foto com os seus alunos.
Minutos depois, uma rapariga pediu o mail ao André.
Eu bem vos disse que ia tentar explicar uma coisa que não se explica.

3.14.2006

Globalizacao

Jantar com italianos,portugueses e franceses. E no "meio do mundo" (e assim que a China se descreve, literalmente e em caracteres) que surgem vidas so possiveis gracas a globalizacao.
- Cathy (2 a contar da direita)- Filha de um austriaco e de uma filipina. O pai gere hoteis.Ja viveu em quase toda a Asia, EUA, Italia, etc. Austriaca de nacionalidade,nunca viveu no pais onde nasceu. Namora Ken, metade holandes, metade indonesio a viver em Xangai ha 3 anos.
- Elene (nao aparece)- Francesa. Quando fez o ultimo exame do curso apostou com um amigo que se passasse a primeira ia viver com ele 6 meses num pais do Sul da Europa. Escolheram Portugal. Mas chovia num dia e no outro fazia sol. Partiram para Italia. Apaixonou-se loucamente por um italiano que estava de partida para Xangai. Veio. Esteve 3 meses. Ele traiu-a. Voltou para Franca. Mas gostava disto, voltou. Conheceu um italiano do meu atelier. Estao in love.
- Helen (3 a contar da direita)- Italiana de gema, viveu nos EUA e trabalha ha dois anos em Shangai.A Helen devo a minha aventura ca. Foi esta italiana em Shanghai, que respondeu a tempo ao mail da nossa embaixada portuguesa porque soube do programa atraves de um ex-contacto portugues que conheceu ca numa festa.
Mas a maior globalizacao da minha vida aconteceu neste fim de ano em Barcelona quando, atraves de uma grande amiga francesa, conheci uma chinesa a estudar em Lille que estagiou no meu atelier de Xangai.
E caso para dizer que o mundo e uma ervilha.

3.13.2006

Religiao, o inicio

Para mim, a religiao faz parte da intimidade.Poe-nos a nu. Pouco ha no mundo que te exponha mais do que a tua crenca. Mas a religiao faz parte da nossa busca terrena, quer queiramos quer nao. E apesar de catolica, essa busca nao para em certezas nem em dogmas. Continua.
E por isso que, ao saber que vinha para a China, das primeiras coisas que pensei, foi na excelente oportunidade de perceber o Budismo, o Hinduismo ou o Comunismo, que para muitos chineses e a unica religiao possivel. Para aqui se fazer politica , obviamente, so sendo comunista. E para se exercer um cargo que defenda o pais, so pertencendo ao Comite Central. E para ser membro deste comite so provando nao ser devoto de nenhuma religiao. Porque a entrega ao partido nao deixa espaco para outras ideologias.
Continuando...
Tudo para dizer que ontem dei o primeiro passo. Fui a um templo budista, o Jingle Temple. Arrepiou-me. Senti que a solenidade que sempre assisti na Igreja Catolica nao se mantem aqui.E que faz algum sentido.E um peso a menos que pode facilitar a proximidade.Um espaco aberto, quase so com jovens, muitos canticos e muitos cheiros. Pessoas voltadas em varias direccoes, muitos monges vestidos de amarelo e com algumas semelhancas com a primeira missa catolica que assisti ha 15 dias atras. Ora cantada, ora murmurada,ora em pe, ora de joelhos, e com um precioso altar.
Tal como em outras alturas desta viagem sinto-me ignorante. Tenho muito caminho pela frente.

3.09.2006

Obrigada

Nao posso crer, sera mesmo verdade o que acabo de ler...
O MEU BENFICA DESPACHOU O LIVERPOOL?
Pela primeira vez uma equipa portuguesa vence em Anfield Road?
Os Reds nao perdiam em casa ha 15 jogos?
Sniff, a milhares de Km de distancia e de frente para uma pessoa ,coitada, e incapaz de compreender a verdadeira essencia de pertencer a grande familia benfiquista, estou emocionada.E nao posso dividir com ninguem neste espaco.
Obrigada.
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(p.s- acho que ele ficou desconfiado que eu estava a falar sobre a sua pessoa.esquece amigo, ser do Benfica seria de dificil compreensao para um chines(talvez porque e vermelho, mas o partido nao esta envolvido) ou porque nos poe a esbracejar (esbracejar e, tenta imaginar, uma pessoa falar com as maos enquanto a veia do pescoco salta.) e nos poe a abracar gente estranha (mas sem ser necessariamente no metro.)

3.07.2006

Arranha-Céus

Os arranha-céus são organismos vivos. São mundos enormes recheados de culturas misturadas num mesmo local e tempo, e que uma vez lá dentro poderiam ser em qualquer parte do globo.
Os 8 elevadores do meu edifício de trabalho levam 25 pessoas cada , todas diferentes, todas viradas para a porta, e todas caladas.
Quando chegam ao destino e as portas se abrem, começa a confusão.
Há elevadores fachada- bonitinhos, com bons materiais e com ascensorista a regular o trânsito vertical-e há elevadores de bastidores tipo monta-cargas, para quem trabalha mas em quem ninguém presta real atenção.
São feitos de rotinas, e com as rotinas vêm os fluxos. De manhã fila para subir, ao almoço fila para comer, ao final da tarde fila para os táxis. Mas, aqui é moda almoçar nas salas de reuniões uma encomenda telefónica qualquer. Por isso, quem sair do edifício à hora de almoço encontrará uma fila de motas estacionadas.
Cada andar tem inúmeros escritórios, com um balcão à entrada e uma chinesa atrás, geralmente muito ocupada. E ao seu lado, sentada e descalça a fazer círculos com o pé, a empregada-Ayi. Há carrinhos de mão em todas as direcções e o mais certo é levarem material para vender, debaixo da primeira camada. Por isso, de cada vez que vou à casa de banho encontro invariavelmente uma senhora a fazer negócio. Desde cremes a bugigangas.
A cada 3 ou 4 dias passa o senhor das revistas. Do seu expositor ambulante constam imitações perfeitas das revistas de arquitectura do mundo inteiro, a um quarto do preço original.
E depois há o factor transversal. Hoje por exemplo, com um frio desgraçado lá fora, todos nós derretíamos dentro do atelier e eu a imaginar cada cubículo,de cada escritório, de cada andar a sofrer debaixo daquelas altas temperaturas. Advogados, senhoras da limpeza, canalizadores, arquitectos mil, tudo a sentir os trópicos.
Há também as improvisadas salas de chuto ao lado das casas de banho, e é vê-los a expelir fumo ao ritmo do próprio stress para cima da placa que, em cima da mangueira de emergência, os proíbe de fumar.
E a tarde passa.
E é então que, um por um, vão para casa. De pastinha na mão, 25 em cada elevador, todos muito caladinhos, até que a porta abre e é Shanghai outra vez.

3.02.2006

Toy

Hoje chegaram mais dois Contactos: O Rodrigo e o André. Já estamos todos e somos 11, sem contar com os outros portugueses que fomos conhecendo pelo caminho.
Fizeram o favor de trazer coisas que nos lembrassem as nossas origens, desde Cerelac a imprensa escrita de todos os géneros.
Hoje estava muito bem sentada no estirador, a reflectir sobre as profundezas da minha alma enquanto à la "Tempos Modernos" calculava áreas de habitações da Mongólia, e cheguei à brilhante recordação de um texto de filosofia (disciplina que desde já admito não ser minimamente sensível) do livro do 10º ano. O texto explicava como debaixo de um mesmo nome podemos admitir conceitos diferentes
. O vosso conceito de elevador, bicicleta ou cheiro - e que eu também tinha até há 3 semanas atrás- é hoje outro. A noção de 10 segundos entre pisos, só para mim,sem fila para entrar e sem pessoas a olhar não corresponde ao mesmo aparelho de transporte de aqui.
Até o conceito "eu" mudou. Em Lisboa sou uma entre muitos iguais a mim. Aí sou mais um quadradinho de uma manta de retalhos. Aqui sou um bicho curioso. Eu não sou eu, porque saio do meu corpo para me aperceber que afinal sou diferente do meu meio. Já pararam a bicicleta para olhar melhor e ontem tiraram-me uma fotografia.
E então o tempo passa, chego a casa e no meio da confusão da chegada deles, leio uma revista que reza assim:
" Toy e Tina celebram o casamento- O cantor toy e a mulher Tina, oficializaram a relação que mantêm há já 25 anos. (...) "Estupidamente Apaixonado" foi o tema escolhido pelo noivo para demonstrar todo o seu amor, um momento romântico testemunhado pelos 12 padrinhos e madrinhas escolhidos pelo casal".
É então que, com o devido respeito, penso aqui para os meu néons"Há coisas que nunca mudam".